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Sossego anuncia enredo sobre intolerância religiosa com ‘santo’ dos traficantes mexicanos como protagonista3 min read

Em 2019, o Acadêmicos do Sossego vai de enredo religioso – mas não sem crítica e com uma boa dose de polêmica.

A escola anunciou nesta sexta-feira que o desfile do próximo Carnaval na Série A será sobre intolerância religiosa, batizado como “Não se meta com minha fé, acredito em quem quiser”.

“Nestes tempos sombrios, o Acadêmicos do Sossego levará para a avenida sua mensagem contra a intolerância religiosa e um apelo para que nosso país volte a ser uma nação acolhedora de todas as crenças e para que o mundo jamais volte a matar em nome de Deus”, defende a agremiação em comunicado publicado no Facebook. Um dos alvos, ainda que não declarado, poderia ser o próprio prefeito do Rio, Marcelo Crivella, que cortou 50% das verbas do município para as escolas de samba em 2017.

Veja abaixo o post do Sossego:

“Patrono dos traficantes”

O protagonista do enredo é uma figura no mínimo controversa. Jesus Malverde, retratado no logotipo oficial divulgado nesta sexta, é venerado como santo em regiões do México, ainda que não seja tratado como tal pelo Vaticano. Malverde, cuja existência não há comprovação histórica, é conhecido como um Robin Hood mexicano, que roubava dos ricos e dava para os pobres, mas também é considerado o padroeiro dos traficantes – um “narcossanto”.

“Sob as bençãos de Jesus Malverde, cujos fiéis são tão injustamente criticados por manterem sua devoção, a escola mostrará que uma das grandes belezas da humanidade está na diversidade das suas religiões, nas diferentes formas de se comunicar com o divino, e também de se calar e nele não acreditar”, promete a escola.

Malverde, codinome de um suposto Jesús Juárez Maço, pobre trabalhador mineiro, teria se tornado inimigo do estado ao se levantar contra a tirania do general Francisco Cañedo, governador de Sinaloa. Malverde, contam, escapou seguidas vezes de Cañedo, até ser capturado e morto por enforcamento em 1909. Uma das versões é de que o herói dos pobres, após ser baleado, pediu para que companheiros o levassem morto às autoridades policiais, e que o dinheiro da recompensa fosse distribuído aos mais necessitados. Seu corpo, dizem, foi deixado ao relento até apodrecer.

Em seguida, conta a lenda, começaram a circular notícias de milagres atribuídos à folclórica entidade. Alguns deles com narrativa cinematográfica, como a que ajuda ladrões a encontrar mulas que haviam fugido do grupo levando o material roubado.

Todo dia 3 de maio, suposta data de sua morte, Malverde é lembrado por seus devotos mexicanos – principalmente os pobres – com muita festa, sobretudo nas proximidades da capela dedicada a ele em Culiacán, em Sinaloa.

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Na série Breaking Bad, Malverde é lembrado em pelo menos uma cena, em que o personagem do policial Hank questiona um colega de DEA (Drug Enforcement Administration, o departamento federal de combate ao narcotráfico dos EUA) a razão de ter uma imagem do “patrono dos traficantes” sobre a mesa. ”

“Se caçassemos nazistas seria como ter uma suástica, não?”, questiona Hank.

“Sun Tzu (…), ‘A Arte da Guerra’: conheça seu inimigo e conheça a si mesmo, e em 100 batalhas não conhecerás derrota”, responde o policial inquirido.

Veja a cena abaixo:

Romulo Tesi

Romulo Tesi

Romulo Tesi Jornalista carioca, criado na Penha, residente em São Paulo desde 2009 e pai da Malu. Nasci meses antes do Bumbum Paticumbum Prugurundum imperiano de Aluisio Machado, Beto Sem Braço e Rosa Magalhães, em um dia de Vasco x Flamengo, num hospital das Cinco Bocas de Olaria, pertinho da Rua Bariri e a uma caminhada do Cacique de Ramos, do outro lado da linha do trem. Por aí virei gente. E aqui é o meu, o nosso espaço para falar de samba e Carnaval.

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Romulo Tesi

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Romulo Tesi Jornalista carioca, criado na Penha, residente em São Paulo desde 2009 e pai da Malu. Nasci meses antes do Bumbum Paticumbum Prugurundum imperiano de Aluisio Machado, Beto Sem Braço e Rosa Magalhães, em um dia de Vasco x Flamengo, num hospital das Cinco Bocas de Olaria, pertinho da Rua Bariri e a uma caminhada do Cacique de Ramos, do outro lado da linha do trem. Por aí virei gente. E aqui é o meu, o nosso espaço para falar de samba e Carnaval.