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Portela anuncia enredo inspirado em mito tupi-guarani e lembra genocídio indígena3 min read

Enredo da Portela para 2020

A Portela anunciou neste domingo, 21, o enredo da escola para o Carnaval 2020. “Guajupiá: terra sem males” é inspirado em um mito* tupi-guarani e vai contar a história do Rio de Janeiro e seus moradores antes da colonização europeia, pré-1500, os tupinambás – os primeiros “kariókas”.

Até o momento não se sabe tudo sobre o enredo. A escola divulgou uma nota e um vídeo, com a apresentação do tema, onde é possível identificar pelo menos duas características do trabalho que o casal de carnavalescos Renato e Márcias Lage apresentarão: a denúncia do genocídio indígena e o desrespeito ao meio ambiente.

“A força da ancestralidade e o legado dos tupinambás também estarão presentes no desenvolvimento do enredo, que vai propor, ainda, uma reflexão sobre as transformações e consequências geradas pelas guerras que culminaram com o desaparecimento dos povos nativos”, divulgou a Portela.

Guajupiá é, segundo a mitologia tupi-guarani, o paraíso para onde vão os espíritos dos mortos. Lá, a “terra sem males”, os índios teriam vida eterna ao lado de seus antepassados.

Portela – Carnaval 2020

Portela – Carnaval 2020

Publicado por Portela em Domingo, 21 de julho de 2019

“Nossa terra seria repleta de males se soubéssemos respeitar a diversidade étnica e cultural? Poderíamos também acalentar o sonho de alcançar a Guajupiá?”, questiona a escola no vídeo, que mescla imagens que remetem a um Rio de Janeiro ainda selvagem, pré-colonização, com cenas de poluição e confrontos de indígenas e forças policiais – como os ocorridos durante a desocupação do Museu do Índio, ao lado do Maracanã, por ocasião da reforma do estádio para a Copa do Mundo de 2014.

“Quando os europeus atravessaram o oceano, cerca de 80 aldeias indígenas ocupavam o entorno da Baía de Guanabara. Assim como no restante do Brasil, elas foram dizimadas”, lembra a escola no vídeo de apresentação.

*Anteriormente, o blog havia chamado o guajupiá de “lenda”, mas foi alertado pelo historiador Luiz Antonio Simas que o mais correto é falar em “mito”. Simas explica:

“Não é lenda. É uma base fundamental da complexa cosmogonia tupi. [O correto, portanto, é falar em] Mito. O mito, afinal, é uma interpretação do real que aponta caminhos para a compreensão do mundo dos diferentes grupos sociais. E faz todo sentido para esses grupos.”

Romulo Tesi

Romulo Tesi

Romulo Tesi Jornalista carioca, criado na Penha, residente em São Paulo desde 2009 e pai da Malu. Nasci meses antes do Bumbum Paticumbum Prugurundum imperiano de Aluisio Machado, Beto Sem Braço e Rosa Magalhães, em um dia de Vasco x Flamengo, num hospital das Cinco Bocas de Olaria, pertinho da Rua Bariri e a uma caminhada do Cacique de Ramos, do outro lado da linha do trem. Por aí virei gente. E aqui é o meu, o nosso espaço para falar de samba e Carnaval.

comentários

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  • Enredo necessário e atual. Mostrar-se-a que realmente não fomos descobertos e sim invadidos, usurpados e colonizados á força pelo europeu e sua cultura de dominação.
    enredo forte que pede cores e alegoria de alto impacto visual e fantasias nas cores da
    nossa historia. Que nossa Águia voe muito alto e traga-nos mais uma estrela no amanhecer do domingo de carnaval.

Romulo Tesi

Romulo Tesi

Romulo Tesi Jornalista carioca, criado na Penha, residente em São Paulo desde 2009 e pai da Malu. Nasci meses antes do Bumbum Paticumbum Prugurundum imperiano de Aluisio Machado, Beto Sem Braço e Rosa Magalhães, em um dia de Vasco x Flamengo, num hospital das Cinco Bocas de Olaria, pertinho da Rua Bariri e a uma caminhada do Cacique de Ramos, do outro lado da linha do trem. Por aí virei gente. E aqui é o meu, o nosso espaço para falar de samba e Carnaval.