Compositor do samba da Viradouro destaca desfiles como manifestação cultural contra o nazifascismo: ‘Maior lição de democracia’

Paulo Cesar Feital na concentração da Viradouro – Foto: Romulo Tesi

A Viradouro levou para a Marquês de Sapucaí neste domingo (2), primeiro dia de desfiles do Grupo Especial, a história de Reis Malunguinho, líder quilombola tornado entidade afro-ameríndia cultuada nos terreiros de Catimbó. A escola entrou embalada pelo o que parte de público e crítica considera o melhor samba do ano, que destaca na letra o perfil revoltoso do personagem, que incendiava canaviais. Para Paulo Cesar Feital, um dos autores do samba, a história de luta contra a tirania dos senhores de engenho dialoga com o momento atual não só do Brasil, mas do mundo.

“Nós vivemos um conflito universal com a extrema direita muito sério. Me lembra muito 1936 esse momento que a gente passa, com uma ascensão nazifascista no mundo inteiro. E nós temos o dever de defender o Carnaval, talvez a única ópera em movimento do mundo”, diz Feital, que vê os desfiles como uma manifestação cultural preponderantemente de esquerda.

“Uma quadra de escola de samba é maior lição de democracia que nós temos. Não tem preto, não tem branco, não tem pobre, não tem gay, todos são iguais”, completa o compositor, autor consagrado na MPB, com músicas gravadas por nomes de peso como Emílio Santiago, Beth Carvalho e Milton Nascimento, entre outros.

Feital ressalta que a letra coloca Malunguinho como um “defensor puro e pleno do povo brasileiro”. “Tanto que no final do samba a gente fala: ‘o rei da mata que mata, quem mata o Brasil'”.

“O Carnaval tem o dever de levar para o povo as suas dores e crueldades de outros. E é isso que a Viradouro traz”, conclui.

Romulo Tesi

Romulo Tesi Jornalista carioca, criado na Penha, residente em São Paulo desde 2009 e pai da Malu. Nasci meses antes do Bumbum Paticumbum Prugurundum imperiano de Aluisio Machado, Beto Sem Braço e Rosa Magalhães, em um dia de Vasco x Flamengo, num hospital das Cinco Bocas de Olaria, pertinho da Rua Bariri e a uma caminhada do Cacique de Ramos, do outro lado da linha do trem. Por aí virei gente. E aqui é o meu, o nosso espaço para falar de samba e Carnaval.

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