Mestre Odilon explica o que é o flam que custou um décimo ao Salgueiro

Detalhe de um tamborim do Salgueiro em 2018 – Foto: Gabriel Nascimento/Riotur

O julgador Cláudio Luis Matheus tirou um décimo da bateria do Salgueiro por causa de um “flam”, segundo consta em sua justificativa, divulgada na última segunda-feira pela Liesa. O uso da palavra logo motivou brincadeiras no povo do samba, gerando memes e comparações com o doce chamado de flan – uma espécie de pudim.

“Na repetição do refrão ‘é mãe, é mulher’, faltou precisão, gerando um ‘flam'”, escreveu Matheus, que ficou no Módulo 3 nos desfiles do Grupo Especial este ano.

Para desvendar o mistério por atrás do flam salgueirense, o Setor 1 perguntou para quem entende – de bateria, não de cozinha: o mestre Odilon Costa.

Com a autoridade de quem tem mais de 40 anos de serviços prestados ao samba, Odilon explica que flam nada tem a ver com a culinária, mas se trata mesmo de um erro, pelo menos no universo das baterias.

Mestre Odilon – Reprodução/Facebook

“É quando uma nota sobra durante uma execução. Uma falta de sincronia. A bateria vem tocando numa levada e, na hora de mudar ou fazer uma paradinha, sai uma batida a mais”, diz Odilon, ilustrando a explicação com uma onomatopeia intraduzível para um texto. Mas seria algo assim: em vem de “bum bum paticumbum prugurundum”, a bateria tocasse “bum bum paticumbum prugurundum dum“. Esse dum a mais seria o flam.

Segundo Odilon, o termo costuma ser usado no meio musical, principalmente em gravações. “Mas quando a gente percebe que tem um flam, tiramos, o que não dá para fazer numa apresentação ao vivo de bateria de escola de samba”, conta.

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Apesar do décimo tirado no Módulo 3, a Furiosa ganhou três 10 e levou os 30 pontos, já que o 9.9 acabou descartado como a menor nota.

Considerado uma falha nas baterias das escolas de samba, o flam, no entanto, pode ser um recurso em outros ritmos. No You Tube, o blog encontrou vídeos de professores ensinando a batida.

Romulo Tesi

Romulo Tesi Jornalista carioca, criado na Penha, residente em São Paulo desde 2009 e pai da Malu. Nasci meses antes do Bumbum Paticumbum Prugurundum imperiano de Aluisio Machado, Beto Sem Braço e Rosa Magalhães, em um dia de Vasco x Flamengo, num hospital das Cinco Bocas de Olaria, pertinho da Rua Bariri e a uma caminhada do Cacique de Ramos, do outro lado da linha do trem. Por aí virei gente. E aqui é o meu, o nosso espaço para falar de samba e Carnaval.

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