
A jovem diretora de Carnaval da Unidos de Padre Miguel, Lara Mara, de 20 anos, tem como uma de suas marcas o uso de palavrões em seus discursos voltados à comunidade da escola. Foi assim na apresentação campeã de 2024, na Série Ouro, e a cena se repetiu neste domingo (2) na Marquês de Sapucaí, antes do desfile de retorno ao Grupo Especial do Rio de Janeiro.
“Vamos botar pra f…, p…!”, gritou Lara, após discursar sobre a importância do enredo sobre uma liderança do candomblé. “Não temos vergonha!”, afirmou.
O enredo da escola é sobre Iyá Nassô e o Terreiro da Casa Branca do Engenho Velho, mais antigo templo afro-brasileiro em funcionamento.
A defesa dos enredos chamados de forma generalizada como “afros” na abertura do Grupo Especial vem uma semana após o carnavalesco da Vila Isabel, Paulo Barros, afirmar que esses desfiles são todos iguais e que o público não entende, motivando reações contrárias dentro da comunidade do samba.
O uso dos palavrões com finalidade motivacional tem – ou pelo menos tinha – um opositor importante: Cícero Costa, pai de Lara, com quem divide a direção de Carnaval da UPM.
“Meu pai não gostava muito porque tinha os julgamentos de algumas pessoas que não gostavam. Mas acho que ele entendeu que o mais importante é quem gosta, que é minha comunidade. Uma vez eu não falei e a comunidade pediu muito, então acho que é isso que importa”, disse Lara ao Setor 1 antes do desfile da UPM.
“Tem umas coisas com que eu estou engasgada e que eu tenho certeza que a minha comunidade precisa ouvir”, afirmou, emocionada.
“É o desfile das nossas vidas”, concluiu.


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